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sábado, 28 de janeiro de 2012

Pobres Jupiteres Quentes ...






Estaria Frank Drake certo? Há quase meio século, o astrônomo americano postulava, baseado em probabilidade estatística pura, que a Via Láctea pode estar cheia de planetas semelhantes à Terra. Agora, novas observações da química de estrelas antigas ‘aposentadas’, objetos semelhantes ao que irá acontecer com o Sol no futuro, em 7 bilhões de anos, conhecidas como anãs brancas, sugerem que a esmagadora maioria delas tinha, quando estavam na seqüência principal, pelo menos, um mundo rochoso orbitando-a. Assim, porque as estrelas semelhantes ao Sol poderiam compor até a metade da população da Via Láctea de centenas de bilhões de estrelas, tal implica que pode haver centenas ou mesmo milhares de civilizações habitando nossa galáxia.


Eureka! Uma idéia genial...
Agora, na reunião da Royal Astronomical Society, em Glasgow, Reino Unido, uma equipe de pesquisadores apresentou uma nova e brilhante maneira de se estimar quantos planetas rochosos poderiam existir lá fora. O estudo concentrou-se na análise das anãs brancas. As anãs-brancas são resquícios de sóis moribundos que em uma época brilharam como o nosso Sol brilha agora, mas no final de seus 9 bilhões de anos de vida estufaram como gigantes vermelhas, estrelas mais frias e enormes com diâmetros de 200 a 250 vezes o do nosso Sol (se isso acontecer no nosso sistema solar, o Sol poderá se expandir para quase a órbita da Terra). Depois, gradualmente as estrelas infladas descem para metade de sua massa original, atenuando-se lentamente com o tempo e rodeadas por sua enorme atmosfera rarefeita.






Se a estrela engoliu um exoplaneta rochoso, seu espectro nos dirá


Considerando este cenário de canibalismo cósmico, os astrônomos especularam então que suas atmosferas podem fornecer uma assinatura da presença anterior de planetas rochosos, que as orbitavam antes das estrelas se expandirem e os engolirem. A equipe estudou os espectros, isto é, suas assinaturas químicas de radiação em uma amostra de 146 anãs brancas, localizadas a poucas centenas de anos-luz da Terra. Entre essas anãs brancas, 109 espectros indicavam a presença de elementos mais pesados, como o cálcio, presentes em suas atmosferas. Os planetas rochosos são depósitos consistentes dos elementos pesados, de modo que se os espectros estelares mostram tais elementos então a estrelas devem ter ingerido pelo menos um de seus exoplanetas, durante a sua fase de gigante vermelha em expansão.
Com base nestes dados, a equipe extrapolou que pelo menos 3,5% de todas as estrelas da Via Láctea hospeda exoplanetas rochosos. Se estendermos esta estimativa, isto significa que a galáxia tem bilhões de mundos rochosos em uma época ou em outra. Uma pequena fração deles, por sua vez, pode ter sido semelhante à da Terra, o que significa que estamos falando de uma abundância de mundos que se encaixam nos critérios de ter água e viver em distâncias habitáveis ao redor de seus sóis.
O estudo reforça a idéia de que a formação de planetas em torno de outras estrelas “é algo comum,” afirmou o cientista planetário Jonathan Fortney da Universidade da Califórnia, Santa Cruz, EUA. Tão comum, salientou, que o número de estrelas com planetas rochosos é “provavelmente muito maior” que o valor de apenas 3,5% estimado pela equipe. Pode até ser superior a 20%, tendo em vista que alguns sistemas planetários são integralmente destruídos e terminam não deixando traços de polução na anã branca com elementos mais pesados.


Busca por sinais de água…


Também interessante é o indício que algum deste material rochoso, poluidor de anãs brancas, continha água. As anãs brancas estudadas tinham atmosferas de hélio, mas mostraram também resquícios de hidrogênio, um dos dois elementos que formam a molécula da água. Se o hidrogênio e os metais forem oriundos de fontes diferentes, as estrelas que contêm ambos devem ser raras, explicou Farihi. Mas na realidade são bastante comuns, sugerindo que o hidrogênio e os metais têm a mesma fonte.
“As rochas que forneceram os metais provavelmente forneceram o hidrogênio,” disse Farihi. O hidrogênio sugere que os minerais que continham metais também continham água, um elemento essencial para a vida como a conhecemos. A descoberta de uma assinatura de oxigênio nas atmosferas destas anãs brancas poderá ajudar a melhorar esta interpretação, mas Farihi afirma que a equipe precisa do Hubble para descobrir as evidências da presença de oxigênio. Eles já pediram tempo de observação via Hubble e estão à espera da aprovação para prosseguirem nas pesquisas.

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