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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Curiosidades sobre Vênus


 - Vênus realiza uma volta em torno de seu próprio eixo num período maior que o necessário para completar uma volta em torno do Sol. Pense bem acerca dessa afirmação: isso significa que um dia em Vênus é maior que um ano.

O Melhor planeta para se pegar um bronze...
- A rotação de Vênus se dá no sentido oposto à maioria dos outros planetas. Assim, em Vênus o Sol surge do Oeste e se põe no Leste.


- Porém, a velocidade de rotação é muito lenta. Do nascer ao pôr-do-sol são quase 116 dias terrestres. Por outro lado, enquanto a nossa atmosfera leva cerca de 24 horas para dar a volta no planeta, acompanhando a rotação, em Vênus bastam 4 dias terrestres, contra os 243 de sua rotação completa. É a super-rotação da atmosfera, provocando ventos de altíssima velocidade.
- Vênus reflete 2/3 da luz que recebe do Sol, um esplendor que lhe valeu o apelido deestrela-d’Alva. Povos antigos imaginavam tratar-se de dois astros: Lúcifer, a estrela da manhã, e Vésper, a estrela da tarde. Em latim, Lúcifer significa “o que leva a luz” e apenas na tradução cristã ele é associado ao mal. Mas afinal Lúcifer talvez fosse um nome mais apropriado para o planeta Vênus, um mundo mais próximo de uma visão do inferno que da personificação do amor.

- A densa atmosfera de Vênus contribui para uma luminosidade escassa na superfície (como um dia nublado na Terra). Mas a densidade não é homogênea e produz refrações múltiplas, originando várias imagens de um mesmo objeto: do solo de Vênus é possível ver dois ou três sóis.
- A superfície de Vênus foi inteiramente mapeada por radar, revelando duas regiões que poderiam ser chamadas de continentes, pois estão acima do nível médio do terreno. Numa região chamada Terra de Ishtar (que significa Vênus para Assírios e Babilônios) ficam os Montes Maxwell, com 11.000 m, e na Terra de Afrodite, maior que o continente africano, há imensos cânions com até 280 km de largura.

- É provável que tenham existido oceanos em Vênus num passado remoto. A fúria de um Sol ainda jovem fez evaporar esses mares e expôs as rochas então submersas, liberando dióxido de carbono e dando início a um contínuo processo de aquecimento. Toda a água da superfície acabou desaparecendo.
- Vênus não possui placas tectônicas, apenas uma crosta sólida e maciça, isso exerce uma grande pressão sobre o manto de magma derretido, que quando escapa, gera uma explosão absurda.

Encontrada em Marte uma cratera com formato inédito



Você já ouviu falar da Orcus Patera? É a mais nova cratera descoberta em marte, que pode ser vista nesta foto da Agência Espacial Europeia. O que a diferencias das demais crateras já descobertas no Planeta Vermelho, principalmente, é o formato: enquanto a maioria delas são redondas e profundas, como se houvesse explodido uma granada no local, a Orcus Patera é comprida, estranhamente alongada e relativamente rasa.

Trata-se, na verdade de uma cratera gigante. Tem 380 km de comprimento – pouco menos que a distância de São Paulo a Curitiba, por exemplo -, e seu ponto mais largo mede 140 km. Por outro lado, tem “apenas” 2,3 km de profundidade (é enorme, mas pouco se comparado à área que a cratera ocupa). Os astrônomos, agora, estão debatendo a respeito do surgimento da cratera.
Há uma “divergência”. O nome “Patera”, geralmente, é usado para se referir a acidentes geográficos de origem vulcânica, o que talvez não seja o caso da Orcus. Segundo os cientistas que a estudam, pode perfeitamente ter sido originada por um deslocamento tectônico, um fenômeno erosivo ou um impacto com outro corpo celeste, há bilhões de anos. Não existem, até o momento, dados suficientes para comprovar a veracidade de nenhuma teoria. Assim, a Orcus Patera se junta a um amplo rol de mistérios sobre Marte.

O Sol está calmo?


No período chamado “mínimo solar”, o Sol fica mais quieto, sem explosões – e, nos últimos anos, o Sol está ainda mais calmo. Essa fotografia que mostra um sol perfeitamente redondo, sem as enormes ondas de fogo que normalmente aparecem por lá, foi tirada na semana passada.

Mas, através dessa imagem, podemos ver, com detalhes, a atividade que ocorre na superfície do sol, mesmo sem as explosões normais.
As partes mais escuras do Sol (aquelas duas manchas) são as partes mais ativas. Atualmente o Sol está saindo do mínimo e se movendo para seu máximo, e ele irá ficar muito mais ativo – então fotos como essa serão muito raras

Asteroides gigantes caíram na Terra e na Lua há bilhões de anos




São Paulo – Um grupo de cientistas americanos descobriu que a Terra e a Lua receberam inúmeros asteroides gigantes durante um longo período, há 3,8 bilhões de anos.

A pesquisa foi feita pelo Instituto de Pesquisa de Southwest, nos Estados Unidos, e pelo Instituto de Origem e Evolução Lunar, da Nasa. O estudo foi publicado na revista científica Nature
As descobertas fazem parte da hipótese que os planetas gasosos do Sistema Solar, como Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, migraram até suas atuais posições a partir de uma distribuição inicial mais compacta.

Esse deslocamento originou muitos asteroides. Então, eles foram atraídos em direção ao interior do Sistema Solar. Alguns deles colidiram com a Terra, a Lua e outros corpos. São esses impactos os responsáveis pelas crateras na superfície lunar.
Somente a Terra recebeu 70 asteroides de grande dimensão durante um período de formação de vida no planeta Terra, o Arqueano, entre 2,5 bilhões e 3,8 bilhões de anos atrás. Os asteroides eram tão grandes que foram considerados parecidos com os que colidiram com a Terra  e acabaram com os dinossauros.

Segundo a pesquisa, muitas crateras deixadas pelos asteroides na superfície terrestre se perderam por causa da erosão e dos movimentos das placas tectônicas. Por isso, os estudos que investigam o impacto desses objetos celestes são limitados.
Apesar de deixar poucas marcas, os cientistas acreditam que os impactos desses asteroides tiveram um papel importante na evolução das primeiras formas de vida terrestre. Eles trouxeram material orgânico à Terra e produziram sistemas capazes de gerar vidas.

 

Estudo: rios de lava esculpiram vale em Marte


Rios de lava esculpiram vales em Marte, afirmaram cientistas americanos nesta quina-feira, em meio a um longo debate se a paisagem do Planeta Vermelho foi formada pela ação de vulcões ou da água.

A lava deixou para trás vestígios reveladores como os encontrados em algumas partes da Terra, como na Ilha Grande do Havaí e em rios de lava perto da fenda de Galápagos, no leito do Oceano Pacífico, revelou o estudo, publicado na revista Science.

O autor principal do artigo, Andrew Ryan, da ASU (Universidade do Estado do Arizona), se concentrou nos Vales Athabasca, perto do equador marciano, e fez sua análise usando mais de 100 imagens de alta resolução enviadas pela sonda da Nasa Mars Reconnaissance Orbiter.

Segundo Ryan, as grandes espirais na província vulcânica marciana Elysium, variam de 5 a 30 metros de largura e não poderiam ter sido formadas por processos relacionados com a água ou o gelo. "É maior do que qualquer espiral de lava conhecida na Terra", afirmou Ryan, que ficou surpreso pelo tamanho, mas não pelo fato de as espirais terem escapado do olhar dos cientistas que estudaram no passado a paisagem marciana.

"As espirais se tornam perceptíveis na imagem em alta resolução HiRISE (da câmera High Resolution Imaging Science Experiment a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter) apenas quando você a amplia muito", explicou. "Elas também tendem a se misturar com o restante do terreno, de cor cinza clara, isto é, até você aumentar o contraste um pouco", acrescentou.

"Eu não considero surpreendente que tenham passado despercebidas no passado. Eu quase as perdi também", emendou. As espirais, que lembram as linhas circulares da concha de um caracol, provavelmente se formaram quando rios de lava fluíram em diferentes velocidades e direções.

Até agora, Ryan, aluno da Escola de Exploração da Terra e do Espaço da ASU, e seu co-autor, Philip Christensen, professor de ciências geológicas da ASU, contaram quase 200 espirais de lava na região de Cerberus Palus, e acreditam que haja mais. "As espirais de lava podem estar presentes em outras províncias vulcânicas marcianas ou em canais de escoamento cobertos por feições vulcânicas. Eu espero que encontremos algumas mais no Elysium à medida que a cobertura da imagem da HiRISE aumentar com o tempo", disse Ryan.

A agência espacial americana lançou a sonda Mars Reconnaissance Orbiter em 2005 para circundar o planeta vermelho e tirar fotos que permitissem aos cientistas buscar por evidências de água em sua superfície e estudar por quanto tempo pode ter existido.

A câmera da sonda conseguiu aumentar por 10 o número de locais pesquisados e agora podem identificar objetos tão pequenos quanto uma mesa de jantar, destacou a Nasa.

Diamantes fornecem informações sobre Terra antiga


Os diamantes podem ajudar os cientistas a desvendar segredos do nosso planeta: nas profundezas da Terra, as pedras preciosas revelam que as placas tectônicas responsáveis pelo movimento dos continentes e pelo nascimento de montanhas provavelmente ficaram ativas cerca de 3 bilhões de anos atrás.

As colisões de crescimento e deslocamento das placas tectônicas mudaram a face do planeta desde o seu nascimento, cerca de 4,5 bilhões de anos atrás. Entretanto, muito permanece desconhecido sobre como as placas eram no início da história da Terra – ou mesmo se elas já existiam ou operavam, devido à escassez de rochas daquela idade.
A maioria das rochas mais antigas da Terra é reciclada por processos de placas tectônicas, que as empurram para dentro do manto derretido do planeta, onde elas derretem e formam novas rochas.

Agora, os cientistas encontraram pistas sobre o aparecimento das placas tectônicas a partir de grãos minerais minúsculos em mais de 4.000 diamantes que se formaram 130 a 180 quilômetros de profundidade na camada do manto da Terra.
Estas gemas, trazidas à superfície por erupções vulcânicas, foram descobertas em cinco continentes pelos pesquisadores, ao longo de mais de 30 anos.
Eles abriram os diamantes e analisaram a composição de minerais em partículas tão pequenas quanto a largura de um cabelo humano. Assim, eles foram capazes de analisar quimicamente os grãos para aprender mais sobre algumas das maiores características que existem na Terra, os continentes.

3 a 3,2 bilhões de anos atrás, esses minerais se assemelhavam a peridotito, uma rocha ígnea comum no manto. Mais tarde, se tornaram mais como o eclogito da crosta oceânica, um sinal de que o material da superfície estava se misturando ao manto, muito provavelmente conforme as placas oceânicas afundavam sobre as continentais.
Isso sugere que as placas tectônicas começaram sua atividade há cerca de 3 a 3,2 bilhões de anos atrás.
Pesquisas futuras devem procurar diamantes ainda mais profundos no interior da Terra, para entender melhor os processos geológicos dentro do manto


Gases primordiais do interior da Terra podem explicar como o planeta se formou



O mesmo processo que dá origem a terremotos e vulcões pode também ter aprisionado gases primordiais responsáveis pela formação do sistema solar nas profundezas da Terra, sugere um novo estudo.
O processo, chamado de subducção, acontece quando uma placa tectônica desliza sob outra. Esse processo geológico é bastante visível no “Círculo de Fogo”, área com muitos terremotos e intensa atividade vulcânica, localizado na bacia do Oceano Pacífico.
O novo estudo descobriu que gases nobres – a família de gases inodoros e incolores, incluindo hélio e neônio – podem ser encontrados nesse processo. Forças geológicas arrastam os gases da atmosfera para dentro do manto abaixo da crosta terrestre.
Pesquisas anteriores descobriram que a composição do neônio no manto é muito semelhante à composição do neônio encontrado em meteoritos. Essas descobertas sugerem que talvez os gases da Terra tenham vindo da mesma chuva de meteoritos que causou as crateras na nossa lua

Mas a nova pesquisa questiona essa conclusão. “Nosso estudo sugere uma história mais complexa. Acreditamos também que gases foram dissolvidos para dentro da Terra enquanto ela ainda estava coberta por uma camada fundida, durante o nascimento do sistema solar”, afirma o pesquisador Mark Kendrick, cientista da Universidade de Melbourne, na Austrália.
Kendrick e seus colegas coletaram rochas de silicato das montanhas da Itália e da Espanha, que já fizeram parte da zona de subducção do manto e que foram posteriormente levantadas pela colisão das placas tectônicas. O silicato é fundamental na pesquisa porque já viajou muito pelo nosso planeta – essas rochas podem ser transportadas a grandes profundidades no manto da Terra pela subdução.

Os pesquisadores analisaram os gases aprisionados nas rochas e descobriram que os gases nobres da atmosfera podem ter sido aprisionados nas rochas quando elas se formaram, perto do fundo do mar.
Mais tarde, essas rochas – e sua carga gasosa – foram subduzidas no manto, formando uma espécie de corrente transportadora de entrega de gases para as profundezas da Terra.
Essas descobertas são importantes para entender como a Terra se formou.
“Nossas descobertas jogam incertezas sobre a recente conclusão de que os gases da Terra foram entregues apenas por meteoritos que colidiram com o planeta. Em vez disso, forças geológicas podem ter puxado gases para dentro de uma Terra em fundição, durante o nascimento do sistema solar”, explica Kendrick

E se os pólos magnéticos da Terra se inverterem?


O fim do mundo pode acontecer de diversas maneiras, depende de para quem você pergunta. Por exemplo, alguns acreditam que o cataclismo global vai acontecer quando os pólos magnéticos da Terra se inverterem. Quando o norte virar o sul, os continentes vão se mover, gerando terremotos massivos, mudanças climáticas e a extinção das espécies.
O histórico geológico mostra que os pólos já se reverteram centenas de vezes na história; isso acontece quando grupos de átomos de ferro no núcleo externo líquido da Terra se alinham de maneira oposta, como ímãs orientados para a direção oposta daqueles que estão ao redor.

Quando os inversos chegam a ponto de dominar o núcleo, os pólos da Terra se invertem. A última vez que isso aconteceu já faz cerca de 780 mil anos, na Idade da Pedra, e realmente há evidência de que o planeta esteja nos estágios iniciais de mais uma reversão.
Mas nós deveríamos mesmo se preocupar com esse evento? Os continentes vão se partir ou estamos preocupados por nada?

“A mudança mais dramática que pode ocorrer, com a reversão dos pólos, é uma grande diminuição na intensidade do campo magnético”, afirma Jean-Pierre Valet, que conduz pesquisas em mudanças geomagnéticas no Instituto de Física Terrestre de Paris.
O campo magnético da Terra leva entre mil e 10 mil anos para se reverter, e durante esse processo, ele diminui muito até se realinhar. “Não é uma mudança súbita, mas um processo lento, durante o qual a força do campo fica fraca, ele pode mostrar mais de dois pólos durante um tempo, para então ficar forte e se alinhar na posição contrária”, comenta a cientista Monika Korte.
Os cientistas dizem que é o enfraquecimento a pior fase para os terrestres. De acordo com John Tarduno, professor de geofísica na Universidade de Rochester, um campo magnético forte ajuda a proteger a Terra da radiação solar. “Ejeções de massa coronal algumas vezes atingem a Terra”, afirma. “Algumas das partículas associadas às EMC podem ser bloqueadas pelo campo. Com um fraco, o escudo é menos eficiente”.
As partículas carregadas que bombardeariam a Terra, durante as tempestades solares, iriam cavar buracos na atmosfera, e isso poderia machucar os humanos. “Buracos na cama de ozônio poderiam se formar com a interação de reações químicas. Eles não seriam permanentes, mas poderiam existir durante um até dez anos – o que é significante em termos de câncer de pele”, afirma Tarduno.
Valet concorda que um campo magnético mais fraco poderia levar a formação de buracos na camada de ozônio. Ele escreveu um artigo no ano passado comentando a ligação entre o fim dos Neandertais, nossos primos ancestrais, e a diminuição na intensidade do campo magnético, que ocorreu no mesmo período. (Nesse momento, o enfraquecimento não chegou a provocar uma mudança de pólos).

Outros cientistas não estão convencidos de que exista uma conexão entre a reversão dos pólos e a extinção de espécies. “Mesmo que o campo fique muito fraco, na superfície da Terra nós estamos protegidos da radiação pela atmosfera. Assim como não conseguimos perceber a presença geomagnética agora, provavelmente não sentiríamos nenhuma mudança significativa com uma reversão”, afirma Korte.
Nossa tecnologia, entretanto, com certeza estaria em perigo. Mesmo hoje, tempestades solares podem danificar satélites, causar apagões e interrupção das comunicações de rádio. “Esse tipo de influência negativa com certeza iria aumentar se o nosso campo ficasse mais fraco, e seria importante encontrar estratégias de segurança”.
Outra preocupação adicional é que a diminuição e reversão do campo desorientariam todas as espécies que utilizam o geomagnetismo para se orientar, incluindo abelhas, salmões, tartarugas, baleias, bactérias e pombos. Não há consenso entre os cientistas sobre como essas criaturas se orientariam

Mudanças continentais?

Os cientistas afirmam que muitos dos desastres no imaginário popular são pura fantasia. Definitivamente não aconteceria nenhuma quebra ou mudança nos continentes.
A primeira prova é o histórico geológico. Quando a última mudança dos pólos aconteceu, “nenhuma mudança na ordem dos continentes ou desastre ocorreu, e os fósseis estão aí para provar isso”, comenta o geólogo Alan Thompson.
Os cientistas explicam que as mudanças no núcleo líquido da Terra acontecem em uma instância completamente diferente das convecções no manto terrestre (que geram os movimentos nas placas tectônicas e nos continentes). O núcleo líquido realmente encosta-se no fundo do manto, mas levaria dezenas de milhões de anos para as mudanças internas influenciarem o movimento das placas.

Mais cedo ou mais tarde

O campo magnético está no momento se enfraquecendo, provavelmente devido a um crescimento na reversão do núcleo líquido embaixo do Brasil e do Atlântico Sul. De acordo com Tarduno, a força do campo magnético terrestre “vem diminuindo por pelo menos 160 anos a um nível muito rápido, o que leva alguns cientistas a especular que estamos caminhando para uma inversão”.
Isso talvez possa acontecer, ou não. A Terra é um sistema muito complexo para os cientistas adivinharem o que esperar. De qualquer modo, o processo vai levar alguns milhares de anos, o que nos dá tempo para nos ajustarmos às mudanças.

A Terra está engordando


Como muitos de seus habitantes, a Terra está ficando mais espessa. Segundo um novo estudo, isso é devido ao derretimento de gelo na Groenlândia e na Antártica.
Para começar, a Terra nunca foi perfeitamente redonda, devido à sua rotação. Assim como a saia de uma patinadora no gelo tremula mais para longe de seus patins durante uma pirueta, a água na Terra é mais concentrada no equador do que nos pólos.
Há 22 mil anos atrás, vários quilômetros de gelo cobriam grande parte do hemisfério norte. Uma vez que a pressão feita pelo gelo reduziu por causa de seu derretimento, a terra abaixo dele se “recuperou”, fazendo com que o planeta se tornasse mais esférico.
Os cientistas haviam observado a protuberância encolhendo há anos, mas de repente algo mudou. Em meados da década de 1990, eles notaram que a tendência se inverteu e a Terra foi ficando mais gorda, como uma bola espremida na parte superior e inferior – só que até recentemente não tinham as ferramentas para entender o porquê.
A gravidade depende da massa, portanto, quaisquer alterações à forma da Terra muda a distribuição de sua massa e seu campo de gravidade.

Dados de satélites, que fazem medições exatas do campo gravitacional da Terra, permitiram aos pesquisadores testar uma teoria de que a perda de gelo foi mudando a forma do planeta. Eles tiraram fotos da superfície da Terra a cada 30 dias, monitorando mudanças na massa de gelo e comparando-as com as mudanças nos campos gravitacionais.
Eles descobriram que o derretimento das geleiras da Groenlândia e da Antártica foram de fato os maiores contribuintes para o crescimento do pneuzinho da Terra. As duas regiões, juntas, estão perdendo um combinado de 382 bilhões de toneladas de gelo por ano. A massa reduzida nos continentes permitirá ao planeta voltar a ser mais redondo, mas esse processo levará milhares de anos. Entretanto, a Terra já está crescendo cerca de 3 centímetros por década.
O raio do planeta é cerca de 21 quilômetros maior no equador do que nos pólos agora. Isto significa que o ponto da superfície da Terra mais afastado do seu centro não é o cume do Everest, mas sim o topo de um vulcão equatoriano.
Tudo isto é mais um forte sinal de que o planeta está mudando. É também outro forte indicador do que está acontecendo no clima. A conclusão é essa mesmo: a Terra está engordando

Vulcão “inflável” intriga geólogos


No sudoeste da Bolívia, próximo à fronteira com o Chile, existe uma atração natural que tem incitado uma série de debates com geólogos de várias partes do mundo. É o vulcão Uturuncu, uma montanha de 6 mil metros de altura encravada no limite da cordilheira dos Andes. E algo inusitado diferencia este de outros vulcões: aparentemente, o Uturuncu está inflando cada vez mais.
Ninguém sabe, exatamente, explicar o motivo, mas estimativas indicam que o vulcão boliviano está inflando entre um e dois centímetros por ano, durante os últimos vinte. Geologicamente, trata-se de uma velocidade espantosa.
O que foi observado até o momento é uma gradual elevação da área que fica abaixo do vulcão. Um platô de 70 quilômetros de comprimento, sobre o qual o Uturuncu está situado, está subindo seu nível como um balão gigante.

Em busca de respostas mais precisas sobre a origem do fenômeno, pesquisadores da Universidade do Oregon (EUA) estão investigando a fundo este mistério geológico. O que se pretende descobrir, basicamente, são o passado e o futuro: como e porque o vulcão está inflando dessa maneira, e o que deve acontecer com ele nos próximos anos.
A situação desse vulcão, como explicam pesquisadores da Universidade da Califórnia (EUA), pode ser imaginada da seguinte maneira: pense em um chapéu de festa de aniversário infantil. A base é notoriamente circular, o que contribui para o inchaço, já que qualquer pressão vinda de baixo se distribui de maneira uniforme.
Tal pressão também pode ser medida: os geólogos afirmam que a camada de magma tem crescido na ordem de 1 metro cúbico por segundo, dez vezes mais do que um vulcão “normal”. Os indícios apontam para uma erupção em breve. Mas isso seria estranho, como explicam os cientistas, porque o Uturuncu está em uma região geologicamente “morta”: os vulcões da área estão inativos há mais de um milhão de anos.

Quando estes vulcões entram em erupção, no entanto, o impacto material tende a ser muito maior. O volume de magma destas montanhas da Bolívia e do Chile, quando elas explodem, tende a ser gigantesco. Em números, cerca de mil vezes superior ao Monte St. Helens, nos EUA, que já destruiu 250 casas ao longo da história. Por essa razão, vulcões como o Uturuncu são chamados de “supervulcões”.
A humanidade, por sorte, nunca presenciou a erupção de um supervulcão. A última vez em que isso aconteceu, segundo estimativas, foi há 74 mil anos, na Indonésia. Os supervulcões, segundo cálculo dos cientistas, armazenam lava por cerca de 300 mil anos até explodir. A última erupção do Uturuncu, conforme estimativas, aconteceu há 300 mil anos. Devemos presenciar uma nova super erupção em breve?
Possivelmente, de acordo com os geólogos americanos. Os pesquisadores se dedicam a um intenso monitoramento do vulcão, considerando dados sísmicos, medidas de GPS e variações no terreno. Tudo para determinar quão próximos nós estamos de um evento natural desse porte

O que há debaixo do gelo na Antártida



O continente da Antártida, que se expande por 14 milhões de quilômetros quadrados cobertos de gelo no Pólo Sul, ainda esconde mistérios fascinantes. Na história, poucos achados intrigaram tanto os geógrafos quanto a Cordilheira subglacial de Gamburtsev, situada abaixo da superfície de gelo.
Descoberta por exploradores soviéticos nos anos 1950, a Cordilheira de Gamburtsev é exatamente isso: uma cadeia de gigantescas montanhas que se estende por um comprimento de 800 quilômetros, o que a torna comparável aos Alpes, na Europa. Não se pode vê-la, na Antártida, porque está soterrada por uma camada de 4 mil metros de neve.
Ao observar todo o gelo que há na superfície, nem todo mundo lembra-se disso, mas a Antártida é uma área primariamente feita de terra firme. E a riqueza geológica desse continente chamou a atenção de um grupo internacional de pesquisadores, que decidiram mapear exatamente o relevo que há por baixo de tanta neve.

Munidos de potentes radares cujo sinal penetra no gelo, os cientistas puderam mapear exatamente qual o desenho geográfico do chamado “continente branco”. E o resultado, que aparece ilustrado por computação gráfica, é uma maciça sequência de montanhas, lagos e geleiras, muito mais complexas do que se imaginava.
Essa complexidade, segundo os cientistas, tem muito a contar sobre a história geológica da Terra. Essa narrativa começa há cerca de 1,1 bilhão de anos, quando grandes porções de terra do planeta se uniram para formar um ex-supercontinente, chamado Rodínia. O que aconteceu a seguir foi uma série de dobramentos geológicos, nos quais o pico das montanhas erodia, mas a base das cordilheiras permanecia firme.
Esse processo se repetiu ainda algumas vezes. A cada novo dobramento, o ponto mais alto da Antártida (que hoje é a Cordilheira de Gamburtsev) ia ficando um pouco mais elevado. A configuração atual, que teria sido originada há cerca de apenas 35 milhões de anos, surgiu com a criação de geleiras, que soterraram paulatinamente a cadeia de montanhas nascida ali.

Esse foi o grande mistério solucionado: até antes dessa pesquisa, não se sabia o motivo de haver montanhas “jovens” instaladas no coração da Antártida. Isso ainda está apenas no campo da teoria, mas as providências para comprová-la já foram tomadas: os cientistas planejam um projeto para retirar amostras de rocha de Gamburtsev.
Um mapeamento mais detalhado da região, conforme explicam os pesquisadores, pode fornecer respostas geológicas que a ciência ainda desconhece. Para obter essas informações, um batalhão de cientistas está instalado em Gamburtsev, equipado com o melhor que a tecnologia tem a oferecer

Poderoso raio-X vai monitorar o centro da Terra


Ao longo do tempo, a ciência já aprendeu muito sobre terremotos, campo magnético e outros fenômenos que têm origem nas camadas mais baixas do planeta. Mas o centro da Terra, em muitos aspectos, ainda é um mistério para os pesquisadores. Em busca de novas descobertas, uma entidade europeia criou um potente equipamento para sondar o que há muito abaixo de nós.
Os métodos mais eficientes para estudar o centro da Terra, até hoje, são simulações feitas em laboratório. É dessa maneira que os cientistas tentam recriar o modo como os metais se comportam no núcleo do planeta. Mas a Instalação Europeia de Radiação Sincrotônica (ESRF, na sigla em inglês) resolveu ir mais a fundo nessa questão.
Na última semana, foi inaugurado o ID24. Trata-se de um poderoso aparato de raio-X que custou 245 milhões de dólares (cerca de 433 milhões de reais, na conversão atual) aos cofres da instituição. O objetivo do ID 24 é sondar, a partir de oscilações eletromagnéticas no núcleo da Terra, como os metais interagem sob as condições de temperatura e pressão encontradas lá.
A radiação permite que os cientistas cheguem a respostas mais precisas. Basta observar o modo com os raios-x são absorvidos por diferentes matérias para fazer um detalhado mapeamento do que há em determinada região. Cada átomo “capturado” pela radiação do ID24 permitirá uma simulação mais avançada do que as que acontecem em laboratórios na superfície.
A partir de 2.400 quilômetros abaixo da superfície terrestre (distância que o ID24 alcançará com facilidade), as condições de fusão de determinados metais já são desconhecidas pelos cientistas. Uma maior compreensão desses processos, conforme explicam os pesquisadores, aumentará nosso conhecimento sobre o magnetismo no planeta.


Misteriosos traços de radiação são detectados na Europa



 
Vestígios do material radioativo iodo-131 foram detectados em toda a Europa durante as últimas duas semanas. A fonte desse material radiativo ainda é desconhecida. O iodo-131 é um subproduto de reações como a de fissão nuclear, que ocorrem em reatores e armas nucleares. Quando absorvido em altas doses, essa radiação emitida pode causar câncer.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que os níveis de iodo-131 que foram detectados em vários locais da Europa são anormalmente elevados, mas não altos o suficiente para representar um risco para a saúde pública.

O Ministério do Ambiente da Áustria afirmou que os pequenos níveis de iodo radioativo detectados iriam expor a população a uma dose de radiação equivalente a apenas uma fração de 40 mil da dose recebida em um vôo transatlântico.
No entanto, a AIEA continua a procura da fonte deste produto de fissão nuclear. A agência não acredita que ela seja remanescente do desastre nuclear em Fukushima, no Japão, no início deste ano.

O aumento nas taxas de iodo radioativo foi detectado pela primeira vez no final de outubro, e desde então tem sido medido em diversos lugares da Europa. O iodo-131 decai rapidamente, com uma meia-vida de apenas oito dias.
Paddy Regan, professor de física nuclear na Universidade de Surrey, disse que o iodo pode ter vazado de uma fábrica de radiofármacos. Outra alternativa é que o iodo pode ter vazado de um hospital que mantém o material estocado

Bizarra ocorrência natural: chuva radioativa



Em vários novos vídeos do YouTube filmados nos Estados Unidos e no Canadá, contadores radiação Geiger aparecem zumbindo em um ritmo alarmante ao passar pela grama molhada e poças d’água logo após uma chuva recente.
Em Toronto, um homem detectou milhares de partículas de radiação por minuto na área em torno de sua casa. Ele postou: “De onde isso está vindo, eu não sei. Fukushima? Eles estão alterando as nuvens com isótopos radioativos para fazer alterações climáticas? Não tenho ideia, mas isso é ridículo”.

Apesar das especulações feitas pelo canadense, especialistas garantem que não há motivo para alarme. Na verdade, a chuva radioativa presenciada recentemente não é uma nova ameaça ou evidência de um encobrimento pela indústria nuclear, mas apenas um indicativo de quantas partículas naturalmente radioativas existem na atmosfera da Terra.
“O que as pessoas estão detectando é mais provavelmente radioatividade natural que vem em forma de chuva”, disse Ward Whicker, professor da Universidade Estadual de Colorado, EUA. “Fundamentalmente, a maioria das pessoas aprecia muito pouco a magnitude da radiação natural que sempre vive conosco”.
Em particular, há uma grande quantidade de urânio presente no solo e nas rochas. Com uma meia-vida de 4,5 bilhões de anos – o tempo que leva para a metade de uma dada amostra se decompor -, o urânio dentro da Terra progride lentamente através de uma série de manifestações em diferentes isótopos radioativos (variantes de um elemento químico particular, que têm diferentes números de nêutrons), e eventualmente torna-se o gás radônio. Este gás escoa para fora do solo e das rochas, até a atmosfera.

O radônio é de curta duração, com uma meia-vida de menos de quatro dias. Conforme ele decai, transformando-se em menos elementos radioativos, ele emite radiação alfa e beta. A chuva lava estas partículas para o chão. “Então, mesmo se você tiver uma chuva modesta por um curto período de tempo, com um contador Geiger, você pode facilmente medir a radioatividade depositada por ela”, disse Whicker.
Whicker também afirmou que os níveis apresentados na chuva recente não parecem anormais, e não há nenhuma razão para ligá-los a radiação de Fukushima.
E mais: é normal sentir perto de 1 milhão de eventos de absorção de radiação em seu corpo a cada minuto a partir de fontes naturais de radiação, incluindo raios cósmicos vindos do espaço e gás radônio se infiltrando a partir de urânio e tório do interior da Terra. “Esta é a radioatividade natural que sempre esteve presente, desde que a Terra se formou”, disse Whicker.

Mas nem tudo são rosas. Natural ou não, não deixa de ser importante minimizar a exposição ao gás radônio, que tende a ficar preso nos porões de casas mal ventiladas. O gás decai em elementos que ficam presos nos pulmões quando inalado e, ao inundar células com um fluxo constante de radiação, aumenta a chance de desenvolver câncer de pulmão.
A exposição ao gás provoca cerca de 21.000 mortes por câncer de pulmão a cada ano, apenas nos Estados Unidos. Especialistas recomendam testar a quantidade de radônio na sua casa, seja pela procura de um profissional ou através da instalação de um kit de teste de radônio, que pode ser comprado online

Controvérsia: cientistas dizem que quebra da velocidade da luz não aconteceu



Um grupo de físicos comprovou que os famosos neutrinos, que pareciam viajar mais rápido do que a luz, na verdade não viajam tão rápido assim. Eles afirmam isso porque as partículas não emitiram um tipo de radiação específico.
De acordo com um dos físicos desse estudo, é difícil contra argumentar essa última objeção sobre o resultado “mais rápido do que a luz”, que foi produzido por outros cientistas na Itália.
O grupo, com base em Roma, argumenta que qualquer partícula que ultrapasse essa velocidade deveria emitir um tipo particular de radiação enquanto viaja. Como eles não detectaram nada disso nos neutrinos – e porque as partículas não pareciam emitir radiação não detectável – elas deveriam estar em velocidade menor ou igual à da luz.
Eles afirmam que o outro experimento, que disse ter enviado neutrinos de um laboratório na Suíça até outro na Itália em 60 nanosegundos mais rápido do que a luz, deve ter errado a medição de tempo.

O argumento é o seguinte: em alguns casos especiais, partículas conseguem viajar mais rápido do que fótons (partículas de luz) quando penetram em um meio, como o vidro. Isso acontece quando os fótons interagem com os átomos do meio, sendo absorvidos e reemitidos tantas vezes que a velocidade cai muito. Isso permite que outras partículas sejam mais rápidas do que a luz, mas ainda assim menos do que a velocidade normal da luz (ou “c”, a conotação usada para ela).

Quando partículas carregadas propagam-se em um meio, mais rápidas do que a luz, elas emitem uma agitação de fótons conhecida como radiação Cherenkov, análoga ao estrondo sônico que os jatos de guerra fazem quando ultrapassam a velocidade do som. O efeito Cherenkov é previsto pelo modelo tradicional das partículas físicas e também é observável no mundo real, geralmente como um brilho azul que emana de núcleos de reatores nucleares.
Após o teste com os neutrinos, os físicos Andrew Cohen e Sheldon Glashow, da Universidade de Boston, argumentaram que uma radiação similar à Cherenkov, mas ligada aos neutrinos em vez de partículas carregadas, deveria estar emanando do feixe de neutrinos usado. Se eles estavam emitindo essa radiação, tinham que estar perdendo muita energia.

“A luz Cherenkov vem dessas partículas quando a velocidade da luz é ultrapassada. É difícil argumentar contra esse fato”, afirma Cline.
Dias após a primeira equipe anunciar que havia melhorado e repetido o experimento da velocidade, os físicos do segundo grupo refutaram-no. Eles analisaram dados do feixe de neutrinos e não descobriram evidência alguma de elétrons-pósitrons vindo dos neutrinos.
Eles também disseram que não havia marcas no espectro energético dos neutrinos que implicassem uma emissão de radiação similar à Cherenkov. Conclusão: de acordo com as leis aceitas da física, a velocidade dos neutrinos deve ter sido igual, mas não superior à da luz.
O único contra-argumento possível, de acordo com Cline, é se o venerado e testado modelo padrão das partículas físicas estiver errado. “E claro, isso pode acontecer”, afirma

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Gelo não é apenas água sólida



Você acha que o gelo é apenas água congelada? Você está errado.
É muito difícil fazer puro gelo, mesmo em laboratório. A maioria das formações de gelo, especialmente em condições naturais, inclui todos os tipos de produtos químicos e partículas – e isso afeta suas propriedades.

A formação e o derretimento do gelo são influenciados por vários fatores. Um exemplo é quando uma placa de gelo fino é coberta por neve. A placa irá abaixo sob o peso da neve. E quando a neve derrete, a camada de gelo vai deixar uma piscina de degelo.
Essa piscina adquire a forma de uma lente. Nesse momento, o gelo está sob tensão. Logo que sai do degelo – através de um furo derretido, um buraco – a tensão será aliviada de repente. Logo, várias fendas surgirão, como resultado de choques mecânicos.
O fenômeno de padrões estranhos no gelo tem sido investigado, mas não há conclusões definitivas. Existem várias teorias para explicar casos específicos.

Geleiras do contra ganham gelo


Enquanto a maioria das geleiras do mundo está derretendo a passos rápidos, muitas outras em uma cadeia de montanhas ao longo de toda a borda do platô Tibetano (Karakoram) têm colecionado ganhos significativos de gelo nos últimos anos.
A conclusão é de um estudo conjunto entre várias universidades francesas, mas liderado pela glaciologista Julie Gardelle, da Universidade de Grenoble, também na França. A descoberta aconteceu durante um esforço internacional que pretende estudar em detalhes 25 geleiras tibetanas – uma pequena amostra das 46 mil massas de gelo que fornecem água para 1,4 bilhões de pessoas na Ásia Central e no sudeste do continente.
Estudos de campo e subsequentes análises por satélite indicaram que as massas de gelo estariam aumentando, de fato. Segundo a pesquisa, as geleiras na região de Karakoram estão se tornando mais robustas. A cada ano, entre 1999 e 2008, as geleiras ganharam novas camadas de gelo de cerca de 11 centímetros.
O glaciologista Graham Cogley, da Universidade de Peterborough, Canadá, destaca: “Essa é uma pesquisa sólida baseada em medições muito bem feitas”.
Contra a maré
“Não temos dúvidas de que as geleiras de Karakoram estão aguentando firmes contra o aquecimento global, mas o porquê ainda não sabemos”, afirma o geógrafo Kenneth Hewitt, da Universidade Wilfred Laurier, do Canadá.
Segundo alguns cientistas, escombros rochosos de avalanches estão cobrindo as geleiras asiáticas, protegendo-as do mesmo calor que aflige outras geleiras pelo mundo. Mas Gardelle desmistifica, afirmando que seu estudo mostra que a perda de gelo é a mesma.
Alguns estudos complementares afirmam que o clima na região pode estar se resfriando, ao contrário da tendência mundial. Entre 1961 e 2000, estações meteorológicas registraram um aumento da precipitação de inverno e uma diminuição nas temperaturas médias durante o verão.

Foto espacial captura 20 mil estrelas nascendo


Sua primeira reação só pode ser “que foto maravilhosa!”. E é mesmo. Rende um bom protetor de tela, até para seu smartphone.
Essa bagunça de gás e luzes é a nebulosa Carina, que está a 7.500 anos-luz, formando cerca de 20 mil estrelas. Muitas delas são muito massivas, o que as deixa quentes, azuis e muito, muito luminosas.
Está vendo a estrela mais brilhante à esquerda? É a Eta Carina, uma das mais massivas da galáxia. Para você ter uma ideia de como ela é realmente grande, em 1843 ela causou uma supernova que liberou dois “pedaços” de matéria com quase a mesma massa do sol – mas ela continua ali. E esses pedacinhos estão viajando pelo espaço a 700 quilômetros por segundo.
Mais dados? Ela brilha quatro milhões de vezes mais do que o sol. Imaginem o espetáculo quando ela explodir de vez. Até lá, ela e as outras milhares de estrelas da nebulosa podem ficar na tela do seu computador.

Primeiras estrelas do universo podem estar visíveis até hoje



Segundo uma nova pesquisa, as primeiras estrelas do universo se formaram em grupos, e não isoladamente. Mais do que isso: algumas dessas primeiras estrelas podem ser vistas ainda hoje.
O estudo usou supercomputadores para simular a formação das primeiras estrelas do universo. Os pesquisadores recriaram um sistema de “proto-estrelas”, precursores de estrelas, criadas a partir da mesma nuvem de gás quase ao mesmo tempo.
A simulação revelou que uma proto-estrela central seria criada antes, e se tornaria a mais maciça. Um número de proto-estrelas menores se seguiria. Às vezes, a força gravitacional de outros astros “catapultaria” e ejetaria um dos membros do sistema.
Segundo os cientistas, a estrela ejetada teria de ser muito jovem, cerca de 100.000 anos de idade. Como a idade de uma estrela e sua massa estão ligadas – quanto mais maciça a estrela, mais rápido ela tende a envelhecer – uma massa baixa o suficiente na nova estrela significa que ela ainda teve uma vida bastante longa para ser visível hoje.
Porém, essa estrela teria que ser expulsa enquanto sua massa fosse de uma faixa muito estreita. O universo é estimado em 13,7 bilhões de anos. Para sobreviver os 13 bilhões de anos desde o fim da Idade das Trevas, quando se formou, o astro não poderia ter tido mais do que a massa solar. Mesmo um pouco de massa a mais já forçaria os limites de sobrevivência.
Por isso os pesquisadores acreditam ser um desafio encontrar uma estrela assim entre as bilhões que vieram depois. O lugar ideal para a pesquisa seria o centro da Via Láctea. No entanto, apenas algumas centenas ou algumas milhares podem existir, misturadas com os bilhões de estrelas que se formaram desde então.
Mas a situação não é completamente impossível. Projetos com telescópios da NASA estão previstos para procurar galáxias e estrelas precoces, e espera-se que sejam capazes de examinar como nunca o início do universo.
Localizar uma estrela primordial, conhecida como estrela de População III, forneceria aos astrônomos dados sobre o universo em seu início. A abundância de deutério e lítio – que o Big Bang teria criado – poderia ser medida diretamente, em vez de deduzida. Da mesma forma, essas estrelas fornecerão dados consistentes para modelos teóricos

Prova matemática de que o universo teve um começo



Em um novo estudo, cosmólogos usaram as propriedades matemáticas da eternidade para mostrar que, apesar do universo poder durar para sempre, ele deve ter tido um começo.
O Big Bang tornou-se parte da cultura popular desde que a expressão foi cunhada pelo físico Fred Hoyle, nos anos 1940, e representaria o nascimento de tudo.
No entanto, o próprio Hoyle preferia muito mais um modelo diferente do cosmos: um universo de estado estacionário, sem começo nem fim, que se estende infinitamente para o passado e para o futuro.
Essa ideia, entretanto, nunca vingou. Mas nos últimos anos, os cosmólogos começaram a estudar uma série de novas ideias com propriedades semelhantes. Curiosamente, essas ideias não entram necessariamente em conflito com a noção de um Big Bang.
Por exemplo, uma ideia é que o universo é cíclico, com big bangs seguidos de “big crunches” (crises) seguido de big bangs em um ciclo infinito.
Outra é a noção de inflação eterna, em que as diferentes partes do universo se expandem e contraem em taxas diferentes. Estas regiões podem ser pensadas como universos diferentes em um multiverso gigante.
Assim, embora pareça que vivemos em um cosmos que se expande, outros universos podem ser muito diferentes. E enquanto o nosso universo pode parecer que tem um começo, o multiverso não precisa ter um começo.
Por fim, há a ideia de um universo emergente que existe como uma espécie de semente para a eternidade e, de repente, se expande.
Essas teorias cosmológicas modernas sugerem que a evidência observacional de um universo em expansão (como o nosso) é consistente com um cosmo sem começo nem fim. Mas não é bem assim.
Audrey Mithani e Alexander Vilenkin, da Universidade Tufts em Massachusetts, EUA, dizem que todos os modelos propostos são matematicamente incompatíveis com um passado eterno.
A análise dos pesquisadores sugere que estes três modelos do universo devem ter tido um começo.
Seu argumento centra-se sobre as propriedades matemáticas da eternidade – um universo sem começo e sem fim. Tal universo deve conter trajetórias que se estendem infinitamente no passado.
No entanto, Mithani e Vilenkin lembram que este tipo de trajetória do passado não pode ser infinita se for parte de um universo que se expande de uma maneira específica.
Universos cíclicos e universos de inflação eterna se expandem dessa forma específica. Então, esses tipos de universo não podem ser eternos no passado, e devem, portanto, ter tido um começo.
“Embora a expansão possa ser eterna no futuro, não pode ser estendida indefinidamente para o passado”, dizem eles.
Esses modelos podem parecer estáveis do ponto de vista clássico, mas são instáveis do ponto de vista da mecânica quântica. A conclusão é inevitável. “Nenhum desses cenários pode realmente ser eterno no passado”, diz Mithani e Vilenkin.
Como a evidência observacional é que o nosso universo está se expandindo, então ele também deve ter nascido em algum ponto no passado. Não adianta fugir dele… Voltamos para o Big Bang. [TechnologyReview]

Não há matéria escura em nosso espaço

 

Mais uma da matéria escura. Astrônomos mapearam o espaço ao nosso redor e chegaram à conclusão de que não há esse tipo de matéria em nossa região do espaço.

Isso implica que todas as estrelas, em um raio de 13 mil anos-luz da Terra, são atraídas gravitacionalmente pelo que já existe em nosso sistema solar – e não pela matéria “invisível”.

Se isso for realmente confirmado por mais estudos, a teoria de que a matéria escura – que os cientistas afirmam compor cerca de 80% de toda a matéria do universo – permeia nosso universo cai por terra.

Mas essa descoberta traz um probleminha: porque apenas aqui a matéria escura não está presente? “As teorias modernas têm sérios problemas para explicar uma distribuição tão curiosa da matéria escura”, afirma o líder do estudo, Christian Moni-Bidin.

Uma das hipóteses possível para essa distribuição seria que as partículas de matéria escura são menos massivas do que os modelos atuais imaginam.

De acordo com Douglas Spolyar, da Universidade de Chicago, a variedade menos massiva é chamada de “matéria escura quente”. “As pessoas usam isso para explicar duas coisas. Um que você teria um núcleo na distribuição da matéria escura, assim ela se mantém constantemente em um raio da galáxia. Segundo, se você olhar para os sub arcos na Via Láctea, a quantidade de matéria escura quente é muito menor”, afirma.

Isso explicaria a descoberta. O problema é que a matéria escura quente teria problemas para formar as galáxias rápido o suficiente para bater com as observações já feitas da formação do universo.

Seria isso o fim da teoria da matéria escura? Caso as observações sejam realmente confirmadas, será necessário criar uma nova forma de explicar nosso universo, desde as rotações das galáxias até os agrupamentos celestes.

Foto: o que encobre o ventre onde se formam estrelas


O que encobre um local de formação de estrelas? No caso da Nebulosa de Órion, poeira. Localizada a 1.600 anos-luz de distância da Terra, Órion é inundada com intrigantes e pitorescos filamentos de poeira. A poeira é opaca para a luz visível e é criada na atmosfera externa de estrelas frias e massivas, sendo expelida por um forte vento externo de partículas.
O Trapézio e outros aglomerados de formação de estrelas estão mergulhados na nebulosa. Os intrigantes filamentos de poeira ao redor da M42 e M43 aparecem em marrom na imagem acima, enquanto o gás brilhante central é destacado em vermelho.
Ao longo dos próximos milhões de anos, boa parte da poeira de Órion será lentamente destruída por estrelas que estão sendo formadas, ou será dispersa no interior da galáxia.

Foto: M57, a Nebulosa do Anel



Exceto pelos anéis de Saturno, a Nebulosa do Anel (M57), é provavelmente o mais famoso objeto celeste com esse formato. Sua aparência entende-se devido à nossa perspectiva – da nossa visão do planeta Terra, estamos olhando diretamente para o centro de uma nuvem de gás incandescente em formato de barril.
Mas estruturas expansivas como essa podem ser vistas também muito além da região central da Nebulosa do Anel nessa intrigante imagem composta com dados do Telescópio Espacial Hubble e do Telescópio Subaru.
No caso dessa nebulosa planetária, o material que observamos não vem de planetas. O escudo de gás representa as camadas externas expulsas por uma estrela moribunda parecida com o sol que fica no centro da nebulosa.
A intensa radiação de luz ultravioleta emitida da quente estrela central ioniza os átomos no gás. Os átomos de oxigênio ionizados produzem o brilho esverdeado e o hidrogênio ionizado se apresenta como a proeminente emissão avermelhada.
O anel central da Nebulosa do Anel tem cerca de um ano-luz de diâmetro e está localizado a 2 mil anos-luz de distância da Terra. Para observar essa bela nebulosa, olhe na direção da constelação de Lyra, ao norte do céu.

Foto: Antares e suas nuvens


Antares é uma estrela gigante – ou melhor, uma supergigante vermelha. Ela possui cerca de 850 vezes o diâmetro do sol, é quinze vezes mais massiva, e dez mil vezes mais brilhante! Ela é a estrela mais brilhante na constelação de Escorpião e uma das mais brilhantes em nosso céu.
Localizada a cerca de 550 anos-luz de nós, Antares é vista nessa imagem rodeada por uma nebulosa gasosa amarelada, que foi liberada por ela mesma. A radiação das estrelas azuis companheiras de Antares ajudam o gás a se expandir.

Lua de Saturno pode ser mais parecida com a Terra do que pensamos


A lua Titã de Saturno pode ser mais parecida com a Terra do pensamos, já que possui uma atmosfera dividida em camadas.
Ela é a maior lua de Saturno, e a única conhecida com uma atmosfera densa. Um melhor entendimento de como sua atmosfera nublada funciona poderia ajudar a encontrar aspectos parecidos em planetas e luas alienígenas. Entretanto, detalhes conflitosos sobre como ela é estruturada já são discutidos há alguns anos.
A parte mais baixa de qualquer atmosfera, conhecida como camada limite, é a mais influenciada pela superfície do planeta ou lua. Em troca, ela influencia a superfície com nuvens e ventos.
“Essa camada é muito importante para o clima e a meteorologia – nós vivemos na camada limite terrestre”, comenta o líder do estudo, Benjamin Charnay.
A camada limite da Terra, que tem entre 500 metros e três quilômetros de espessura, é controlada em grande parte pelo aquecimento solar na superfície terrestre. Como a Titã está muito mais longe do sol, sua camada pode ser bem diferente, mas isso ainda é muito incerto – a atmosfera dessa lua é grossa e opaca, o que não revela suas outras camadas.
Por exemplo, enquanto a espaçonave Voyager 1 sugeriu que a camada limite da Titan tinha 3,5 quilômetros de espessura, a sonda Huygen que chegou mais perto da atmosfera observou que a camada tinha apenas 300 metros.
Para ajudar na solução desses mistérios, cientistas desenvolveram um modelo climático 3D de como a lua poderia responder a um aquecimento solar.
“A implicação mais importante dessas descobertas é que a Titã se parece mais com um planeta similar à Terra do que imaginávamos”, comenta Charnay.
As simulações revelaram que a atmosfera mais baixa da Titã está separada em duas camadas, ambas distintas da atmosfera superior em termos de temperatura. A mais baixa é bem rasa, com apenas 800 metros, e, como a da Terra, muda com o passar do dia. A que vem logo acima, com dois quilômetros, muda de acordo com as estações.
A existência dessas duas camadas, que respondem às mudanças climáticas, une as descobertas que antes eram conflitantes. “Não existem mais observações em conflito”, afirma Charnay.
Esse novo trabalho ajuda a explicar os ventos mensurados pela sonda Huygens, assim como os espaços entre as dunas gigantes, no equador da Titã. E também, “isso poderia implicar na formação de uma camada limite de nuvens de metano”, comenta Charnay. Essas nuvens aparentemente foram vistas antes, mas não era possível explicá-las.
No futuro, Charnay e seus colegas vão estudar como o metano de Titã faz um ciclo entre os lagos e mares superficiais até as nuvens atmosféricas, da mesma maneira que a água na Terra.
“Modelos 3D serão muito úteis no futuro, para explicar os dados que nós iremos conseguir das atmosferas de exoplanetas”, finaliza Charnay


sábado, 21 de abril de 2012

Será possível a existência de planetas inteligentes?


Você lembra do planeta “vivo” de Avatar, que conversava com seus habitantes através de estranhas ligações? Será que um planeta assim, consciente, com todos os seres conectados, um planeta vivo e inteligente, existe?

Até agora, a ideia de um planeta inteligente parece ser um pouco utópica. Os cientistas dizem que, baseado na química e no comportamento das coisas vivas e não vivas – que conhecemos, claro – você não deve apostar em um Pandora, por exemplo.
“Do modo como a evolução funciona, não vejo isso acontecendo”, afirma o cientista Peter Ward, da Universidade de Washington, EUA.

Megafauna

Os planetas são formados com a junção do gás e poeira cósmicos que sobram da formação estelar. Do que já conhecemos dos planetas, rochas, líquidos e gases aglomerados, não há como um planeta desenvolver algum tipo de consciência.
O único caso planetário que chegou um pouco mais perto disso foi a Terra, que eventualmente foi povoada por moléculas que se autorreplicavam e carregavam informações.
“Nós temos que usar a história da Terra como guia”, afirma Ward. E com isso a ideia de um superorganismo gigante cai por terra.

Drenagem cerebral

São necessários um cérebro muito grande e um sistema nervoso muito desenvolvido para que certa inteligência seja exibida.
E para isso é preciso muita energia. Nosso cérebro corresponde a 3% do nosso corpo, mas consome 20% da nossa energia. Poucas criaturas desenvolvem mais inteligência do que as pressões evolucionárias exigem.
Se pensarmos em algum tipo de massa viva que cobriria a terra inteira, tornando o planeta inteligente, sua necessidade parece ser muito pequena.
A competição entre as espécies, pelos recursos naturais, é outro ponto que impede a ideia de um planeta inteligente. Não apenas as espécies competem entre si, mas tentam se aproveitar e passar por cima das outras.
No fim, as criaturas não são programadas para começar a cooperar e fluir como um corpo único. “Com a seleção natural, alguns vivem e alguns morrem”, afirma Ward.

Consciência coletiva

Existem poucas exceções para essa regra. Colônias de insetos, por exemplo, são compostas por milhares de indivíduos, que agem em conjunto para garantir a sobrevivência. “Sociedades como as das abelhas e formigas são o máximo do altruísmo”, diz Ward.
Por isso não fica totalmente fora de questão uma série de seres, em uma colônia única gigante, que agissem como uma mente apenas, até que os recursos acabassem.
Essa noção, entretanto, traz um problema: comunicação. Formigas usam feromônios para se comunicar, e nossos corpos usam nervos. Mas imagine um organismo do tamanho da Terra.
“Se o pensamento for de certa maneira distribuído (em um planeta inteligente), ele será mais lento do qualquer coisa que você possui em casa”, afirma o astrônomo Seth Shostak.

Gaia?

Apesar de todas essas considerações, alguns cientistas defendem o argumento de que a Terra deveria ser pensada com um organismo gigante.
A “hipótese Gaia” propõe que a vida na Terra funciona em conjunto, para manter o habitat sustentável. Dessa maneira, a salinidade e o pH dos oceanos, por exemplo, seriam ideais porque a vida fez dessa maneira.
A hipótese é muito controversa, já que temos muitos casos em que a ideia da Terra tomando ações para defender a vida parece não se sustentar. “A vida já se sabota muito sem estar conectada através da inteligência”, comenta Ward.
Shostak também não acredita muito nisso. “Após bilhões de anos aqui, nós não vemos muito a flora e fauna fazendo isso. Tudo é interdependente, mas poucos se comportam como um único organismo”.
Pelo jeito, no momento, a hipótese Gaia fica no campo da ficção.

Controlando o efeito túnel com a luz


Cientistas de um dos laboratórios mais tradicionais em todo o mundo – o Cavendish, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra – utilizaram luz para ajudar elétrons a passarem através da clássica barreira impenetrável.
Embora o tunelamento, também conhecido por efeito túnel, esteja no centro da natureza ondulatória peculiar das partículas, essa é a primeira vez que o efeito é controlado pela luz. A pesquisa foi publicada no renomado periódico “Science”.

Para entender do que se trata o tunelamento, imagine que você deseja atravessar um recinto. Mas, bem no meio dele, existe um muro alto. Como não existe orifício nenhum pelo qual você possa passar, você terá de escalar o muro para chegar do outro lado.

O mesmo ocorre no mundo dos átomos, cuja altura metafórica é medida em unidades de energia e o caminho mais provável é o que apresenta menos energia. Contudo, diferente da nossa realidade, na situação vislumbrada acima, quando uma barreira energética é intransponível, partículas elementares utilizam o efeito túnel para atravessá-la.
E, embora as partículas, como prótons e elétrons, não costumam atravessar paredes, se forem pequenas o suficiente, a mecânica quântica as permite. Isso ocorre e é fundamental para muitas reações químicas, para o transporte eletrônico em semicondutores e supercondutores, para o magnetismo e para aparelhos, como os osciladores THz.

De acordo com o físico Jeremy Baumberg, responsável pela pesquisa, “o truque de dizer aos elétrons como atravessar paredes é casá-los com a luz”.
Esse casamento está fadado porque a luz está sob a forma de fótons em cavidade, pacotes de luz presos para saltarem entre espelhos, os quais ficam entre os elétrons, que vibram através da parede.
O cientista Peter Cristofolini, membro da pesquisa, explica que o resultado desse casamento é novas partículas indivisíveis, feitas de luz e matéria, que atravessam uma parede de material semicondutor.

Uma das características dessas novas partículas, que os pesquisadores batizaram de dipolaritons, é que elas são espalhadas em uma direção específica, como um ímã. E como tal, sentem forças fortes entre elas.

Tais partículas, que interagem tão fortemente, são alvos do recente interesse de físicos que se debruçam sobre semicondutores e que estão tentando produzir condensados, o equivalente a supercondutores e superfluidos, que viajam sem perda, em semicondutores.
Estar em dois lugares quase que instantaneamente: é o que essas novas partículas eletrônicas prometem. Elas têm o poder de transferir ideias da física atômica e transformá-las em aparelhos práticos, utilizando mecânica quântica visível a nossos olhos



Como Einstein inaugurou a física moderna


Desde antes de terminar seu doutorado, Albert Einstein já havia começado a escrever as teses que são consideradas pela comunidade científica atual como a fundação da física moderna. Todos sabem que ele ficou notório pela Teoria da Relatividade, principalmente. Mas que fundamentos da ciência ele realmente revolucionou?

Dia 14 de março marca o 133º aniversário do nascimento do cientista. Em 1905, então com 26 anos de idade, Einstein publicou um trabalho chamado “Um ponto de vista heurístico sobre a produção e transformação da luz”. Antes dos enunciados contidos nesta publicação, os cientistas da época acreditavam que a luz se comportava apenas como onda e jamais como matéria, emitindo uma carga de energia constante e imutável.
A partir de experimentos fotoelétricos e da descoberta de que a luz se comporta energeticamente como os gases, ele concluiu que a luz na verdade emite pequenos pacotes de partículas fotoelétricas, os fótons. Tal enunciado serviu de base para a física quântica estudada a partir dali.

Einstein criou, desta maneira, um novo modelo de interpretação do comportamento da luz no ambiente. Suas teses, que se provariam corretas nos anos que se seguiram, renderam a ele o Prêmio Nobel da Física em 1921


Realidade ou apenas ficção: Viajar no tempo é possível?


Esqueça os filmes de ficção científica. De um ponto de vista puramente físico, a viagem para o futuro não somente é possível, como acontece sempre. Entretanto, viajar para o passado é um problema um pouco maior.
“Nós podemos viajar em diferentes níveis para o futuro”, afirma Seth Lloyd, professor de engenharia mecânica quântica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). “Mas viajar para o passado, e mudar as coisas, é mais controverso”.

Meu relógio ou o seu?
Para um exemplo de viagem no tempo bem palpável, pense nos satélites de GPS. Se não fossem construídos para serem calibrados, eles revelariam o tempo com uma diferença de 38 microssegundos todos os dias. “Os relógios na Terra andam um pouco mais devagar do que os satélites no espaço”, afirma Lloyd.
A justificativa é a relatividade, descrita por Einstein. Um objeto que se move mais rápido em relação a outro experimenta uma passagem de tempo mais lenta. Imagine satélites se movendo a 14 mil quilômetros por hora.
A segunda justificativa tem a ver com a gravidade. Relógios mais próximos de uma massa gravitacional, como a Terra, se movem mais devagar do que os mais distantes. Os satélites orbitam 20.100 quilômetros da superfície da Terra.

Futuro, aqui vamos nós

Ambos os casos de dilatação – espaço ou gravidade – permitem viajar para o futuro.
Fazer tal feito é questão de investimento e tecnologia. “Fazer uma viagem via relatividade vai exigir soluções de engenharia para construir coisas como motores de foguete com combustível suficiente para viagens muito longas”, afirma o professor de física Jeff Tollaksen.
Ir e vir até uma estrela distante nem seria necessário. O efeito seria atingido se simplesmente ficássemos em uma centrífuga gigante a quase a velocidade da luz (apesar da morte iminente).
A segunda tentativa, da gravidade, também seria letal. Digamos que você possa ficar em uma estrela de nêutrons por alguns anos, e uma década teria passado na Terra. Mas, é claro, você não sobreviveria à super gravidade do corpo celeste.

E o passado?

De acordo com a relatividade geral, um buraco negro rotatório pode modificar o espaço e tempo, formando caminhos para momentos antigos. Entretanto, a ideia comum de viajar no tempo parece um pouco “além” demais.
Lloyd conduziu experimentos quânticos que sugerem que as linhas do tempo se mantém consistentes. “A ideia foi enviar um fóton alguns bilionésimos de segundo até o passado e tentar fazer com que ele destruísse seu antigo ser”, afirma.
Mas conforme os fótons chegavam mais perto de interferir em si mesmos, a probabilidade do experimento dar certo ficava menor. “Nossa teoria tem uma censura automática de coisas que são completamente inconsistentes. Quando você volta no tempo, não importa o quanto tente, não consegue mudar o que quer mudar”.
Existem outras formas de viajar ao passado, como viajar na velocidade da luz ou os teóricos “buracos de minhoca”, que conectam diferentes regiões do cosmos.
Mas nenhuma dessas alternativas parece muito palpável. Temos simplesmente que admitir os erros do passado e conviver com eles. “Mesmo que as leis da física nos permitissem visitar o passado, não é claro ainda como isso aconteceria em nosso universo”, finaliza Lloyd